Juliana Stein nasceu em Passo Fundo/RS em1970. Formou-se em Psicologia pela Universidade Federal do Paraná em 1992, depois disto viveu em Veneza e Firenze por dois anos onde estudou desenho, história da arte e aquarela. Começou a fotografar no final dos anos noventa.

Exposições individuais:
2018 – Não está claro até que a noite caia /Museu Oscar Niemeyer/Brasil
2014 – Darkest Water /Crone Galerie/Berlim/Alemanha

Exposições Coletivas:
2018 –Bienal Mercosul / Porto Alegre/Brasil
2018 –Sesc Paço da Liberdade /Curitiba/Brasil
2017 –Luz Matéria /MON/Curitiba/Brasil
2017 –Diálogo MAC/MON /Curitiba/Brasil
2017 –Bienal Internacional de Curitiba/Curitiba/Brasil
2016 –Bienal SIARTE/ La Paz/ Bolívia
2016 –Projéteis / Sim Galeria /Curitiba/Brasil
2015 – Bienal Internacional de Curitiba / Curitiba / Brasil
2015 – Bienal de Assunção / Assunção / Paraguai
2015 – Fotografias do Acervo MAC/ Curitiba /Brasil
2015 – Aquisições MON / Curitiba / Brasil
2014 – Biennal Internacional de Montevideo / Uruguai
2014 – Crone Galerie / Berlim / Alemanha
2014 – Tupy or not tupy / MON / Curitiba / Brasil
2014 – BRICS Oi Futuro / Rio de Janeiro – Brasil
2013 – 55. Biennale di Venezia
2012 – Place of Residence / Shangai / China
2011 – Poetas en Tiempo de Escasez /Montevideo/
2010 – 29º Bienal de São Paulo/São Paulo/Brasil
2010 – Biennal deQuebéc/Quebéc/Canadá
2010 – O Estado da Arte / MON / Curitiba /Brasil
2010 – Kaunas Fhoto Festival of Light/Kaunas/Lithuania
2009 – Encontros da Imagem /Braga /Portugal
2009 – Bienal Vento Sul /Curitiba /Paraná / Brasil
2008 – Fundação Cultural de Curitiba / Curitiba / Brasil
2007 – 62º Salão Paranaense / MAC / Curitiba/ Brasil
2007 – Fondazione Triennale di Milano / Milano / Italia
2005 – Carreau du Temple / Paris / França
2003 – Imagética -Fundação Cultural de Curitiba / Brasil
2003 – Fundação Cultural de Curitiba / Curitiba / Brasil
2003 – Festival Internazionale di Roma / Roma / Itália
2003 – PhotoEspana Festival / Madri / Espanha
2003 – Itaú Cultural/Exposição Itinerante / Brasil
2002 – Itaú Cultural/São Paulo / Brasil
2001 – M21 Project / Langenlois/ Austria
2000 – III Bienal Internacional de Fotografia Cidade de Curitiba / Brasil

Prêmios:
2001 -Itaú Cultural

Publicações:
BRICS–OI FUTURO –Rio de Janeiro 2014
BRASILIEN –STEIDL– Berlin /2013
PLACE OF RESIDENCE – SHANGART GALLERY– Shangai/2012
FOTOGRAFIA NO BRASIL – FUNARTE/2004
MAPEAMENTO NACIONAL DA PRODUÇÃO EMERGENTE – 2001/2003

Coleções:
Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, Brasil
Museu da Fotografia de Braga, Braga, Portugal
Museu de Arte Contemporânea, Curitiba, Brasil
Museum of 21 Century, Langenlois, Austria
Fundação Cultural de Curitiba, Curitiba, Brasil

Sobre o trabalho:
“Exposto na Bienal Internacional de Fotografia em Curitiba, em Curitiba, as fotografias de Juliana Stein mereceram a atenção especial do diretor da Maison Europèene de Photographie, Jean François Couvreur e de Philipe Dubois, crítico de fotografia, professor da Universidade de Liége e mestre de conferências da Universidade de Paris. De acordo com Philipe, as montagens e justaposições de Juliana criam um efeito, ao mesmo tempo plástico e ideológico. O que se vê não é explícito. É interessante ver alguém que não pensa a fotografia apenas como imagem, afirmou o crítico. Segundo ele, existem duas tendências importantes na fotografia brasileira, uma ligada ao social e político e outra, mais plástica, onde o social é secundário. Para Philipe, no trabalho de Juliana existe um ponto de equilíbrio entre as duas tendências.”
Philipe Dubois -Tribuna da Imprensa 18.01.2001 / Rio de Janeiro.
No começo de suas considerações melancólicas sobre a fotografia em A Câmera Clara, Roland Barthes menciona a noção lacaniana de tuché, referindo-se ao que nos toca, ou melhor, a esta realidade que literalmente nos tortura, motivo que desenvolverá com a dualidade do punctum/studium. Sem dúvida, a obra de Juliana Stein me concerne e, sobretudo, conseguiu seduzir-me emocionalmente. Seu olhar está dotado de uma sutileza extraordinária, mas também de uma contundência inusitada. Seja em sua impressionante série sobre prisões na qual os pequenos detalhes, os restos e as marcas recuperam toda a sua liderança ou em sua aproximação à loucura, demonstra uma maturidade criativa total. Talvez a obra de Juliana Stein seja uma reconsideração do gênero da natureza morta, mas implicando ao sujeito em uma situação metaforicamente esburacada, quando o delírio se apoderou do mundo e somente o poético pode opor alguma resistência.
Fernando Castro Florez, maio de 2010

A Fotografia de Juliana Stein
Pose que vira flagrante.
E vice-versa.
Uma 3×4 ampliada e colorida em escala metafísica.
Surgidos de um longo corredor cinza-roxo de maternidade, réplica geométrica do percurso vaginal, aí estão eles e elas:
ECCE OMO
ECCE PUER
ECCE MATER A mãe apresenta o(a) filho(a), que a apresenta.
Uma foto oficial para carteira de identidade, de corpos inteiros.
A foto não é oficial, apesar da padronização: é social.
Quem acaba de dar à luz apresenta-se diante de uma câmera que dá a luz a quem dá a luz, indolormente, muitas vezes.
A carne vira signo, que vira espírito, que é essa coisa a que chamamos significado. Photon.
A câmera dá à luz a todos e todas.
E sua parteira se chama Juliana Pais e Mães.
Ou Juliana Stern (estrela) em lugar de Juliana Stein (pedra).
Décio Pignatari, maio de 2009

A pele do invisível
¬ A experiência da imagem
As séries fotográficas de Juliana Stein enunciam e documentam a crise em que submergiu a idéia de sujeito moderno, ancorada numa concepção de seres humanos uniformes e dotados de identidade fixa e autonomia plena. Em vez da afirmação da integridade desse sujeito, é o seu caráter fragmentado e difuso que seus trabalhos apontam. Em vez de identidades estáveis, é o efêmero e o múltiplo que assinalam. Não há em suas imagens a pretensão do comentário discursivo e culto; tampouco se pretendem engajadas numa atitude crítica ou celebratória do estado de confusão de limites entre as coisas do mundo. Na série de imagens reunidas em Sim e não, Juliana Stein apresenta retratos de homens que, valendo-se de cosméticos, perucas e roupas femininas, travestem-se de mulheres. São fotografias que, a despeito das razões que levam cada um deles a assumir outra identidade sexual, sugerem a condição transitória e circunstancial do indivíduo na contemporaneidade – não mais estável, mas se refazendo a cada instante; não mais uno, mas dividido de modo irreparável. A postura afirmativa de cada um deles parece dar sentido comum e potência a desejos que se querem diferentes daquilo que é imposto como norma.
(Texto retirado do catálogo da 29ºBienal de São Paulo)
Juliana Stein incursiona em lugares marginais e, a partir deles, reflete. Sua abordagem transcende a condição visual para criar uma zona de silêncio que outorga a fotografia um caráter de indício: mostra a partícula visível de um grande invisível. Para ela a fotografar é uma prática de indagação, de exploração em uma sorte de descontrole produtivo nesse se deixar levar por personagens e situações que, uma vez traduzidos em imagens, estimulam a percepção desde os tons graves até os sem cor.
Adriana Almada, Assução/Paraguai, junho 2013